Cerca de 70 trabalhadores da Siderúrgica Cisam foram demitidos ontem em Pará de Minas. A empresa suspendeu as atividades devido à dificuldade de concorrência com a China e, principalmente, pela falta de matéria-prima.
Ainda segundo as informações obtidas pelo Jornal da Manhã, junto ao alto escalão da empresa, a Cisam estava operando em parceria com outra siderúrgica de Pará de Minas, a SIP, que também não conseguiu fornecer a matéria-prima necessária para a produção do ferro gusa.
A reativação da Cisam, na rua Padre Libério, bairro JK, aconteceu em agosto de 2025. Mas um ano antes a empresa já havia iniciado a reforma da unidade, que funcionou por 14 meses.
Em nota, a direção da empresa informou que o encerramento das atividades é por tempo indeterminado, confirmando que a decisão decorre mesmo “das condições atuais de mercado e de fatores alheios ao controle da companhia, entre eles as dificuldades no fornecimento de gusa pela SIP Siderurgia, fornecedora que atua de forma independente da Cisam”.
A nota também informou que o Sindicato dos Metalúrgicos foi previamente comunicado e manifestou ciência da medida. A empresa também garantiu que todos os direitos dos trabalhadores serão integralmente respeitados.
Ao final do texto, a diretoria afirmou que “seguirá acompanhando o mercado e avaliando alternativas para a operação, inclusive a possibilidade de retomada das atividades”. O Jornal da Manhã também teve acesso a um trecho da reunião realizada logo cedo com os trabalhadores, quando a decisão foi comunicada:
Poucos funcionários serão mantidos para garantir a conservação dos equipamentos. Os acertos trabalhistas começarão a ser feitos na próxima semana.
Concorrência internacional sacrifica o setor
O cenário nacional para as siderúrgicas é de uma severa pressão competitiva, decorrente dos altos custos e da escassez de matérias-primas a preços viáveis. A situação se agravou com a forte concorrência do aço importado.
Um dos reflexos mais recentes da crise foi anunciado no início da semana, com o encerramento da produção de aço na usina da Gerdau em Divinópolis. A empresa atribuiu a decisão diretamente à ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos e ao impacto massivo das importações, principalmente da China.
Embora o Brasil seja um dos maiores produtores globais de minério de ferro, indústrias integradas locais sofrem com os custos logísticos internos de transporte e beneficiamento.
Além do minério, insumos essenciais de produção correm risco de encarecimento. A Gerdau, por exemplo, acionou o governo contra propostas de sobretaxa na importação de eletrodos de grafite, usados em fornos elétricos, para evitar novas altas de custo.
Outra situação que enfraquece o setor é a margem espremida, porque com a lucratividade do aço em queda pela concorrência externa, as siderúrgicas nacionais não conseguem absorver a alta de preços da sucata, limitando a capacidade de expandir a produção por essa via.
A situação também se agravou porque com o consumo doméstico fraco e exportações em forte queda, a produção brasileira de aço bruto acumula retração. Isso tem levado grandes grupos a reduzirem a capacidade instalada e direcionarem seus planos de investimentos para países com maior atratividade econômica.
Fotos: Arquivo Jornalismo/Rádio Santa Cruz FM