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Os Magos e a coragem de seguir uma estrela

08/01/2022

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Dizem que os Reis Magos eram sucessores de Balaão. Por isso, foram a Jerusalém após verem a estrela, seguindo a profecia de seu pai: “Uma estrela se erguerá sobre Jacó e um homem sairá de Israel “ (Nm 24,17). Outro motivo da busca dos magos foi dado por São João Crisóstomo em seu comentário sobre Mateus:

Certos autores concordam que alguns astrólogos escolheram doze entre eles para observar o céu, e se um viesse a morrer, seu filho ou um de seus próximos o substituiria. Todos os anos, em diferentes meses, os doze subiam na montanha da Vitória e lá permaneciam três dias, fazendo abluções e pedindo a Deus que lhes mostrasse a estrela predita por Balaão.

Certa vez, no dia do nascimento do Senhor, eles estavam na montanha quando apareceu uma estrela com a forma de um magnífico menino, sobre cuja cabeça brilhava uma cruz,  e que disse aos magos: Apressem-se em ir à terra de Judá, onde encontrarão o rei recém nascido que vocês buscam. A Bíblia fala que eles vieram do Oriente à Jerusalém, sem especificar de qual região do Oriente. Acredita-se que vieram dos confins da Pérsia e Caldeia, onde corre o Rio Sabá.  Seja como For, a distancia não era curta. Por isso, a necessidade de usar os dromedários, de acordo com São Jerônimo,  como veículos de transportes.

Os dromedários são mais velozes do que os cavalos. Eles percorrem, em um dia, a distancia que os cavalos gastariam três dias! “Dromo” quer dizer corrida e “ares”, força. O amor tem pressa. Por isso, eles vieram de longe, pois, tinham pressa para encontrar aquele que é o rei dos reis e o senhor dos senhores!  
A tradição cuidou de preservar os nomes  dos Reis Magos: Gaspar, Baltazar e  Melquior. Essa é a versão latina. Em hebraico foram chamados de: Apelio, Amério e Damasco. Mas, afinal, o significa dizer que eles eram “magos”? 

A palavra “mago” tem muitos significados como, por exemplo, “enganador”, “feiticeiro”,  “sábio”. Em certa medida, todos esses significados se aplicam a tais personagens.  Eles foram enganadores porque enganaram o Rei Herodes. São João Crisóstomo afirma que, ainda que fossem feiticeiros, foram atraídos a Cristo e se converteram, pois, a bíblia fala que, após visitar o Menino eles retornaram à sua pátria por outro caminho. Mas, o melhor sentido à palavra “mago”, nesse caso, está ligado à sabedoria.

Eles eram sábios e reconheceram, no “mapa do céu,” uma luz, completamente, nova. Então, não mediram sacrifícios para encontrar o local indicado pelo brilho daquela estrela. Quem dera que todos os pesquisadores tivessem essa humildade! 
Porque os magos, sendo tão sábios, foram parar em Jerusalém e não em Belém, onde o Menino havia nascido? Para responder  tal pergunta temos quatro  possibilidades:

Primeira: Eles souberam do nascimento do Menino, mas não do lugar exato de tal nascimento. Jerusalém era a Cidade dos Reis, do Templo e dos sacerdotes. Então, fazia sentido que o Menino pudesse nascer ali; Segunda: Ainda que o Menino não tivesse nascido em Jerusalém lá eles poderiam obter claras informações sobre o local do nascimento, pois a Cidade era habitada por escribas, sábios  e doutores. Sendo assim, deveriam saber dessa informação;

Terceira: Procurando Jesus em Jerusalém, os judeus ficariam sem desculpas, pois, poderiam dizer: Sabemos o lugar do nascimento, mas ignoramos o tempo e é por isso, que não acreditamos; Quarta: Para que a investigação dos magos condenasse a indolência das autoridades judaicas, pois os magos  acreditaram a partir de uma única profecia, enquanto as autoridades judaicas não acreditaram apesar das muitas profecias. Os magos buscaram um rei estrangeiro enquanto as autoridades judaicas não valorizaram o rei nascido de seu povo. Os magos vieram de longe e quem estava tão perto não deu valor...

Assim que os magos entraram em Jerusalém a estrela que os guiava parou de brilhar. Na capital o céu ficou escuro! Como explicar esse apagão da estrela? Vejamos três explicações: Apagando o seu brilho em Jerusalém os magos tiveram que pesquisar, além dos sinais do universo, as profecias das Sagradas Escrituras; A estrela se apagou talvez, porque os magos deixaram de olhar para o céu e buscaram as explicações humanas para aquele sinal de Deus. Preferindo o auxílio dos homens ficaram sem o auxílio divino;

A estrela se apagou em Jerusalém para entendermos melhor o que nos diz o Apóstolo Paulo: Os sinais foram dados aos infiéis e a profecia aos fiéis. Sendo pagãos os magos só tiveram acesso a um sinal, mas, para se chegar a Deus era-lhes necessário conhecer também as profecias (1 Cor:14). A Bíblia nos diz que quando viram a estrela novamente os magos sentiram enorme alegria. A estrela de Belém deveria ser diferente de todas as outras para que despertasse tanto interesse nos magos!

Há quem afirme que ela possuía cinco pontas indicando cinco características: Material, espiritual, intelectual, racional e supra substancial. Era material porque foi vista por eles no Oriente; era espiritual, pois os seus raios marcaram para sempre os corações dos magos. Foi pela fé que eles se dispuseram ao seguimento. A fé é uma luz que brilha dentro da gente e nos faz caminhar em direção a Deus. A estrela era também intelectual e racional, pois a fé não dispensa o nosso esforço para compreender a vontade de Deus.

O anjo que lhes apareceu em sonhos dizendo que eles deveriam voltar por outro caminho não lhes explicou tudo. Por isso, eles mesmos tiveram que refletir para entender os desígnios de Deus.  Após chegarem à manjedoura os magos se deparam com uma mulher cujo brilho se parecia ao de uma estrela capaz de guiar os viajantes. Tratava-se de Maria, a Mãe de Jesus. Mas, a estrela maior mesmo, era o Santo Menino pois sua luminosidade era semelhante a luz do sol!

Diante do Menino os magos se curvaram e ofereceram seus presentes: Ouro, incenso e mirra. Oferecer presentes era um hábito oriental. Mas, o que significava tais presentes? De acordo com São Bernardo eles ofereceram ouro à Virgem Maria para aliviar um pouco o sofrimento de sua pobreza, o incenso para espantar o mau cheiro do estábulo e a mirra para fortalecer o corpinho do recém-nascido e expulsar os insetos que poderiam incomodá-lo. Mas, alguns viram no ouro um digno presente ao rei dos reis que acabara de nascer, o incenso para ressaltar a sua divindade e a mirra a sua humanidade.

As relíquias dos magos repousam, hoje, num belíssimo relicário, em Colônia (Alemanha) onde ainda são veneradas pelos fieis. Entre nós, eles sobrevivem nos inúmeros grupos de Folias de Reis, onde são representados de diversas maneiras, graças à criatividade de nosso povo. Os Magos hoje, são chamados de “Santos Reis” sendo, inclusive, padroeiros de algumas paróquias ou capelas católicas. A Comunidade de “Paiol Velho”, em Pitangui, é um exemplo disso. Os Santos Reis são venerados e amados como padroeiro daquela Comunidade.

Texto: Pe. Gabriel
Foto Ilustrativa: pixabay.com




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