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Compaixão cristã: Troca de lugar com o outro!

15/01/2022

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O Evangelho nos diz que, após curar um leproso, Jesus não podia mais entrar, publicamente, em uma cidade. Por isso, conservava-se fora, nos lugares desertos e, de toda parte, as pessoas o procuravam (Mc 1,40-45). Sobre essa “troca de lugar com o leproso” é que gostaria de falar, nesse comentário de hoje.

Já sabemos que nos tempos bíblicos o leproso sofria duas vezes: Por ser leproso e por ser considerado impuro. Sofria, portanto, com a doença e com a marginalização social. Ninguém podia aproximar-se dele e muito menos tocá-lo. Mas, foi exatamente isso, que Jesus fez quando um leproso ajoelhou-se, diante dele suplicando-lhe, por compaixão.

Compaixão é a especialidade do nosso Deus e, por isso, Ele troca de lugar com o sofredor. O leproso foi curado e podia, a partir de então, frequentar a cidade sem dar satisfação às autoridades. Mas, Jesus passou a ser excluído sem poder circular, livremente, entre as pessoas. De posse dessa informação poderíamos questionar: - Mas, alguém seria capaz de gestos tão grandiosos?

A resposta é sim! Muitos santos já fizeram isso. Para ilustrar vou citar quatro: São Paulino de Nola, São Vicente de Paulo, São Maximiliano Kolbe e São Damião de Molokai. 
São Paulino de Nola (355 em Bordeaux - França)  era de família rica. Vendeu tudo o que tinha para ajudar os mais pobres. Quando já não tinha mais o que vender foi procurado por uma viúva, cujo filho havia sido capturado por povos bárbaros.

Sem ter como ajudar, financeiramente, aquela mãe ele vendeu a si mesmo como escravo para pagar o resgate do jovem. Com o passar do tempo descobriram que aquele escravo que trabalhava como jardineiro, era um bispo católico. Ao saber disso, acabou sendo libertado e libertou consigo todos os seus diocesanos escravizados.

O segundo exemplo que vou citar é São Vicente de Paulo (França – 1581).  De acordo com “Pierre Collet”, um de seus mais rigorosos biógrafos, esse fato se deu no ano de 1622: “O Padre Vicente, muito antes de fundar a sua congregação, fez um ato de caridade semelhante ao de São Paulino de Nola, que se vendeu para livrar do cativeiro o filho de uma viúva pobre.

Tendo um dia, encontrado um forçado preso aos bancos de uma galera (navio de guerra) o qual tinha sido obrigado a abandonar mulher e filhos em extrema pobreza, tocou-se de tanta compaixão pelo estado do infeliz, que resolveu empregar todos os meios possíveis para consolá-lo e aliviá-lo; e, não encontrando nenhum, por um movimento extraordinário de caridade, pôs-se no lugar do pobre homem, para lhe dar meio, saindo do cativeiro, de acudir sua família desolada. 

Conseguiu, pois, que aceitasse a troca aquele de quem dependia a licença, e tendo aceito voluntariamente o cativeiro, foi preso à corrente do pobre homem, que pusera em liberdade. Ao cabo de algum tempo,  conhecida a virtude singular do caridoso libertador, ele foi solto”(1). 
O nosso terceiro exemplo vem de São Maximiliano Kolbe (Polônia em 1894). Estando preso num campo de trabalhos forçados em Auschwitz em 14 de agosto de 1941, ofereceu-se, para morrer em lugar de um pai de família.

“Após a deportação, ele foi despojado de seu hábito franciscano e destinado ao trabalho mais humilhante, como o transporte dos cadáveres para o crematório. Ele recebeu o número de série 16670. Após a fuga de um prisioneiro, dez prisioneiros são enviados para o chamado bunker da fome no Bloco 13 e são condenados a morrer de fome. Padre Kolbe ofereceu sua vida em troca de um pai de família, Franciszek Gajowniczek, que muitos anos depois recordou aquele momento dramático com estas palavras:

"Kolbe saiu da fila, arriscando ser morto naquele momento, para pedir ao Lagerfhurer para me substituir. Era inconcebível que a proposta fosse aceita, de fato muito mais provável que o padre fosse adicionado aos dez selecionados para morrer juntos de fome e de sede. Mas não! Contra o regulamento, Kolbe salvou a minha vida”(2)

O quarto exemplo de compaixão que vou citar vem de São Damião de Molokai, chamado apóstolo dos leprosos (03 de janeiro de 1840 - Bélgica). São Damião deixou a Bélgica, sua terra natal, para dedicar-se aos leprosos numa ilha (Molokai) do Havai, transformada numa colônia de leprosos. Ao final da vida ele também contraiu a doença e acabou morrendo igual aos demais leprosos do local.

“Na localidade da ilha, chamada Kalaupapa, havia 600 leprosos. Com sua presença, a vida daquela colônia, que se encontrava em situação de precariedade pela falta de recursos e de organização, começou a melhorar com a implantação de trabalhos agrícolas e um sistema escolar mais adequado. Padre Damião construiu também uma igreja e estabeleceu uma paróquia.

Este trabalho tornou-se conhecido e teve apoio até de entidades internacionais. Infelizmente, o missionário contraiu a lepra. Mesmo assim continuou suas atividades, até falecer aos 15 de abril de 1889. Havia completado 49 anos de vida. No meio de sua heroica dedicação àquele povo, costumava repetir: “Nenhum sacrifício é grande demais, se feito por amor a Jesus Cristo”. Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II e canonizado em 2009 por Bento XVI” (3)

Como se pode ver, a partir desses exemplos citados, muitos santos fizeram o mesmo que Jesus, ou seja, trocaram de lugar com o outro, por pura compaixão. Alguns perderam a própria vida, nessa troca. Eles foram e ainda são, para nós, grandes exemplos de amor cristão. Talvez, a gente nunca chegue a esse patamar de santidade. Mas, ainda assim, devemos olhar para esse horizonte com o firme desejo de caminhar em sua direção. O resto pode muito bem ser obra da graça de Deus! 

Por: Pe. Geraldo Gabriel
Foto em destaque: https://ocatequista.com.br




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