O bispo da Diocese de Divinópolis, Dom Geovane Luis da Silva, celebrou missa na manhã de sábado (28) na comunidade rural de Casquilho, pertencente ao município de Conceição do Pará.
A celebração especial fez parte da Campanha da Fraternidade e a escolha do povoado se deu pelo acidente ocorrido em dezembro de 2024, provocado pelo deslizamento de uma pilha de rejeitos da mineradora canadense Jaguar Mining.
O episódio afetou mais de 130 pessoas e provocou novos danos de instabilidade em fevereiro de 2025, levando à interdição da área. A celebração contou com a presença de várias famílias, todas demonstrando tristeza por não conseguirem voltar para suas casas.
Durante a homilia, Dom Geovane destacou o sofrimento da comunidade, devido à perda dos bens materiais e dos vínculos afetivos. Disse também que a reparação financeira, por si só, não é capaz de devolver o que foi perdido. A celebração reforçou o apelo por solidariedade e atenção às vítimas.
Também presente na igreja, Dom Francisco Cota, natural da região, fez um discurso contundente ao abordar a responsabilidade da mineradora e os impactos da exploração ambiental.
Segundo ele, “isso não foi uma fatalidade, foi um crime e deve ser tratado como crime, dando nome aos responsáveis”. Dom Francisco também chamou atenção para a necessidade de uma conversão ecológica, alertando que os efeitos desse modelo de exploração tendem a se agravar.
Atualmente, mais de 90 famílias da comunidade de Casquilho estão vivendo em imóveis alugados pela mineradora, em cidades vizinhas como Pitangui. A área afetada segue em monitoramento, com ações voltadas à estabilização da pilha de rejeitos.
Foto: diocesedivinopolis.org.br