O Dia Mundial dos Animais em Situação de Rua é lembrado neste sábado (4), dedicado à reflexão sobre o abandono animal, uma realidade que ainda atinge milhões de cães e gatos no Brasil e no mundo.
Criada em 2010, a data chama a atenção para os desafios enfrentados por esses animais, que vivem expostos à fome, doenças, maus-tratos, além dos riscos constantes do trânsito e das condições climáticas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, existem mais de 200 milhões de animais abandonados no mundo, sendo cerca de 30 milhões apenas no Brasil. Números como esses reforçam a necessidade de conscientização da população.
A rotina nas ruas impõe uma série de dificuldades. Sem acesso regular à alimentação e cuidados veterinários, muitos animais desenvolvem doenças, sofrem com parasitas e acabam envolvidos em acidentes ou situações de violência. Além disso, a falta de abrigo os expõe ao frio, ao calor excessivo e às chuvas, agravando ainda mais a vulnerabilidade.
De acordo com o médico veterinário e coordenador do Centro de Controle Populacional de Pará de Minas, Idael Santa Rosa, embora alguns animais já nasçam em situação de rua, a maior parte tem origem no abandono.
Idael destacou que a adoção deve ser encarada como um compromisso para toda a vida do animal, exigindo responsabilidade dos tutores em todas as fases, inclusive quando surgem dificuldades, mudanças na rotina ou imprevistos.
É comum que o abandono seja tratado de forma genérica, como se fosse responsabilidade de “alguém” indefinido. Na prática, porém, poucos assumem esse papel. Quando o problema se torna visível, cresce a cobrança por soluções imediatas, muitas vezes sem considerar a necessidade de garantir qualidade de vida e bem-estar aos animais.
Além disso, Idael reforça que não é possível delegar totalmente a responsabilidade ao poder público, já que a raiz do problema está no comportamento humano. Para ele, é fundamental que cada tutor compreenda seu papel e evite situações como crias indesejadas e abandono posterior.
Diante desse cenário, a conscientização se torna uma ferramenta essencial para reduzir o número de animais nas ruas. Medidas como a adoção responsável, o oferecimento de água e alimento, a vacinação e, principalmente, a castração são apontadas como fundamentais para prevenir o abandono e o crescimento descontrolado da população animal, reforçando que o cuidado com os animais é um compromisso coletivo que começa com a responsabilidade individual.
Há 0 comentários. Comente essa notícia.