O aumento das demandas em saúde mental voltou a acender o alerta na Rede de Atenção Psicossocial de Pará de Minas. O cenário local acompanha uma preocupação que aparece também em dados nacionais: três em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos disseram se sentir sempre tristes ou, na maioria das vezes assim, segundo o IBGE.
Os números mostram ainda que 42,9% dos estudantes se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer motivo, enquanto 18,5% pensam sempre ou, na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida.
A sensação de desamparo também aparece nos dados: 26,1% disseram sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles. A coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial, Rayane Couto, falou do assunto ao Jornal da Manhã.
Ela deixa claro que a saúde mental exige um olhar além dos diagnósticos e dos atendimentos específicos. Relações familiares, trabalho, transporte, rotina e a própria maneira como as pessoas vivem e se relacionam estão entre os fatores que podem influenciar o sofrimento mental.
As transformações sociais também mudam a maneira como diferentes gerações percebem e enfrentam seus problemas. O acesso mais amplo à informação, as novas formas de relacionamento e as mudanças no estilo de vida fazem com que fenômenos antes tratados de determinada maneira passaram a ser compreendidos sob outras perspectivas.
Rayane explica que a promoção da saúde mental precisa considerar justamente essas diferenças entre épocas, gerações e comunidades, evitando buscar uma única resposta para situações que possuem origens e manifestações distintas.
Nesse contexto, o desafio não está apenas em identificar o sofrimento, mas também em compreender o que faz sentido para cada pessoa e cada família. A própria ideia de cuidado pode mudar com o tempo, exigindo que serviços, escolas, famílias e comunidade acompanhem essas transformações.
Para quem enfrenta sofrimento intenso ou pensamentos de se machucar ou tirar a própria vida, a orientação é buscar ajuda. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), as Unidades Básicas de Saúde e a UPA, estão entre os serviços que podem ser procurados. O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Fotos: Lucas Barcelos/Rádio Santa Cruz FM e Ilustrativa reprodução Holger Langmaier por PixabayHá 0 comentários. Comente essa notícia.