A campanha Agosto Lilás, de combate à violência contra a mulher, vai chegando ao fim. Mas pelos números, qualquer pessoa pode perceber claramente que a conscientização precisa continuar, tendo em vista o alto índice de agressões.
No Brasil, segundo estatísticas recentes, os casos de violência contra mulheres aumentaram 24% em relação ao ano passado. As ameaças foram o tipo mais frequente e houve recorde de estupros.
E lamentavelmente, a situação de Pará de Minas não é das melhores, de acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil. De janeiro até a primeira quinzena de agosto foram registrados 188 casos de violência, registrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e mais 209 ocorrências por meio do REDS, que é o registro de eventos de defesa social da Polícia Militar.
Esses números não são apenas estatísticos, eles representam vidas marcadas pela dor, pelo medo e, muitas vezes, pelo silêncio.
A maioria dos casos de violência continua ocorrendo dentro de casa. No levantamento do SUS, 87% das agressões aconteceram na residência da vítima. Isso mostra que o lar, que deveria ser espaço de proteção, tem se tornado cenário de agressão. E em 92% dos casos, existe apenas um autor, geralmente alguém próximo, que deveria cuidar.
Mulheres pretas e pardas são as principais vítimas. Elas representam mais de 60% dos registros. Isso revela que a violência de gênero é atravessada pelo racismo estrutural. São mulheres que enfrentam não só a violência física, sexual e psicológica, mas também a exclusão social, a pobreza e o preconceito.
O levantamento também mostra que a faixa etária mais afetada está entre 20 e 59 anos, mas os dados ainda revelam que adolescentes e idosas estão em risco. Foram registrados em Pará de Minas neste ano, 44 casos entre meninas de 10 a 19 anos e outros 46 entre mulheres com mais de 60 anos. A violência não escolhe idade – ela se perpetua em todas as fases da vida.
Agora, quando os tipos de violência são analisados separadamente, chegamos aos seguintes dados: a violência física representa 42% dos casos no SUS, com 36% de reincidência.
A violência psicológica, embora silenciosa, aparece em 28 registros e 25% são recorrentes. Já a violência sexual é devastadora - foram 18 casos registrados no SUS, sendo que 77% das vítimas têm menos de 20 anos.
Já na Polícia Civil, foram apenas 10 registros e esse dado mostra que muitas vítimas buscam ajuda na saúde, mas não denunciam formalmente.
Agora, o dado mais doloroso mostra que 110 mulheres praticaram violência contra si mesmas em Pará de Minas, nos últimos meses. São casos de automutilação e tentativas de suicídio, muitas vezes em consequência da vida que estão levando. Isso é um grito de socorro, é o corpo dizendo o que a voz não consegue.
Também foi registrada no município, pela Polícia Civil, uma tentativa de feminicídio no primeiro semestre mas, felizmente, a mulher sobreviveu. Que a conscientização continue, independente do Agosto Lilás que se despede da gente daqui a dois dias.
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