A sequência de quedas no preço do leite pago ao produtor rural continua preocupando a categoria. Pelo oitavo mês consecutivo o valor recuou, refletindo um cenário de forte pressão sobre a renda no campo e de incertezas para quem depende da atividade leiteira como principal fonte de sustento.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada apontam que o leite captado em novembro foi comercializado, em média, a R$ 2,11 por litro, com retração expressiva em relação aos meses anteriores e ao mesmo período do ano passado.
Esse cenário é influenciado pelo aumento dos estoques de lácteos nas indústrias e nos canais de distribuição, reduzindo o poder de negociação e comprimindo as margens do setor. Além disso, a maior captação no campo e o crescimento das importações de leite em pó ampliaram a oferta no mercado interno, pressionando ainda mais os preços.
Enquanto a receita diminui, os custos de produção seguem em trajetória de alta. Mesmo com leve queda no preço da ração, outros insumos encareceram. Na região de Pará de Minas, produtores também sentem os efeitos dessas sucessivas baixas, segundo o diretor da Coopergranel, Milton Henriques Guimarães. Além do preço baixo, os pecuaristas enfrentam acentuada falta de mão de obra:
O presidente do Sindicato Rural de Pará de Minas, Eugênio Diniz, também falou sobre o impacto das sucessivas quedas no preço do leite, destacando os prejuízos acumulados, a fragilidade dos pequenos produtores e a falta de perspectivas de melhora no curto prazo, mesmo após reuniões do setor.
Além dos fatores internos, o mercado leiteiro sofre influência de questões externas, como conflitos geopolíticos. O endividamento dos produtores e das indústrias também agrava a situação, tornando o cenário ainda mais desafiador e adiando a expectativa de recuperação para o setor.