Há muito tempo que os trabalhadores brasileiros não se entusiasmavam tanto por um assunto como a jornada 5x2, que pode ser implementada no país ainda neste ano.
A mobilização virou tema de destaque, com intensos debates sindicais e projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. O foco das discussões é a redução da jornada de trabalho, com garantia de dois dias consecutivos de descanso.
Se os projetos de lei forem aprovados, como tudo indica, a jornada máxima semanal passa a ser de 40 horas ou até 36 semanais, sem redução salarial.
Sindicatos e defensores da mudança argumentam que o modelo com dois dias de folga promove maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, resultando em mais saúde, descanso e eficiência, além de controlar a sobrecarga.
É preciso ressaltar, no entanto, que o modelo 5x2 não vai significar folgas somente nos fins de semana. Os patrões poderão conceder as duas folgas consecutivas durante a semana, dependendo da demanda da empresa.
Ainda é cedo para dizer se as propostas serão mesmo aprovadas no Congresso Nacional, mas tudo indica que sim. E essa confiança está animando a classe trabalhadora, principalmente as mulheres que costumam ter mais atribuições domésticas do que os homens,
O assunto também caiu no gosto popular nas ruas de Pará de Minas. Trabalhadores como Rafael Silva, do bairro São Cristovão, se mostram satisfeitos com o reconhecimento de que as massas precisam descansar mais:
Até mesmo quem trabalha por conta própria, como é o caso do motoboy Robert, que mora no JK, torce pela implantação da jornada 5x2. No caso dele, a nova lei não teria influência, pois ele não pretende reduzir a jornada diária e ver o faturamento cair. Mas Robert se mostra feliz por aqueles que serão beneficiados:
Se os projetos de lei serão aprovados, ninguém pode afirmar. Mas uma coisa é certa: muitas empresas já caminham nesta direção por conta própria. Em algumas regiões do Brasil, por exemplo, supermercados já estão adotando a escala 5x2. O comércio lojista segue o mesmo caminho. E nas indústrias onde o 5x2 também já foi adotado, os resultados são muito bons.
A produção dos funcionários aumentou, inclusive com maior qualidade. Mas, por outro lado, outras empresas resistem à aprovação do novo modelo. Em Nova Serrana, por exemplo, representantes do setor calçadista afirmam que a redução da carga horária pode elevar significativamente os custos com mão de obra, provocando repasse de preços ao consumidor, impactando principalmente as classes de menor renda e até causar desemprego. Empresários defendem que o tema seja discutido de forma mais detalhada, com negociações coletivas e análise das particularidades de cada setor produtivo.