O patamar elevado da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, tem sido o principal combustível para a onda de críticas vinda dos setores produtivos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) é uma das vozes mais insistentes, alertando que o atual nível dos juros impõe um fardo pesado sobre a economia brasileira.
Para a entidade, o custo do crédito encarecido traz consequências diretas e negativas para a geração de empregos, a renda das famílias e o bem-estar geral da população, criando um gargalo que dificulta a expansão industrial e o consumo de bens duráveis.
No centro dessa disputa está o desequilíbrio fiscal, com o governo registrando déficits persistentes e gastando acima do que arrecada, daí a pressão inflacionária se torna inevitável.
Diante da ausência de um controle rígido das despesas públicas, o Banco Central utiliza a Selic como um "remédio amargo" para frear o consumo e os investimentos, tentando manter a inflação dentro da meta.
O custo social é alto, mas os economistas começam a enxergar resultados. Falando ao Jornal da Manhã, o paraminense Eduardo Leite afirmou que o mecanismo já surte os efeitos desejados na contenção de preços, com possibilidade de redução de 0,25% a 0,5% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária.
A taxa de juros atinge a todos direta ou indiretamente e embora seja um instrumento rigoroso para segurar a inflação, o seu alcance varia conforme o perfil financeiro de cada brasileiro, só poupando aqueles que não possuem dívidas:
Surpreendentemente, o Brasil tem demonstrado força econômica em meio a alta da Selic. Mesmo com juros em 15% e inflação na casa dos 4,5%, a economia nacional não entrou em recessão, um fenômeno que provavelmente ocorreria em mercados menos diversificados.