O Brasil enfrenta um cenário epidemiológico que exige atenção urgente: no ano passado foi registrada a marca alarmante de 273 mil adolescentes gestantes. O dado mais sensível desse levantamento revela que 12 mil dessas gestações ocorreram na faixa de 10 a 14 anos, casos que, por lei, configuram estupro de vulnerável.
Aliado a isso, cerca de 1.100 partos por dia no Brasil são de mães jovens que deveriam estar focadas somente nos estudos e no brincar.
Em Pará de Minas, a realidade local espelha a nacional: foram registradas 4 gestantes entre 10 e 14 anos e 78 na faixa de 15 a 19 anos, só no ano passado, evidenciando que o município não está imune a essa crise de saúde pública e social.
A enfermeira Lílian Luce, Coordenadora do Serviço de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança, reforça como o sistema de saúde recebe essas jovens. Segundo ela, o acolhimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) vai além do exame clínico, buscando entender a vulnerabilidade de um corpo que ainda está em plena formação física e emocional.
Para a Dra. Marisa Lara, ginecologista e obstetra que atua no AME, a adolescência é o período crítico de transição entre a infância e a vida adulta, onde a falta de informação e as questões familiares pesam tanto quanto os fatores biológicos. Ela alertou que, independentemente do contexto, a gravidez nesta faixa etária é sempre uma gravidez de risco.
A médica apontou algumas causas do alto número de casos e apontou a desinformação como um dos principais problemas atualmente. Segundo ela, o diálogo sobre sexualidade deve deixar de ser um tabu, se tornando uma ferramenta de proteção para as meninas.
Para atender essas crianças e adolescentes gestantes, o município oferece assistência psicológica, nutricional e um pré-natal rigoroso, capaz de monitorar os riscos e o desenvolvimento gestacional em um corpo que ainda não completou seu ciclo de crescimento.
E no enfrentamento desse cenário, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente uma gama variada de métodos contraceptivos, orientando as jovens sobre a eficácia de cada um.
A aposta mais recente para a redução dos índices de gravidez indesejada entre adolescentes é a oferta do Implanon. Este implante subcutâneo é especialmente indicado para jovens que têm dificuldade em manter a disciplina diária de anticoncepcionais orais, garantindo uma proteção de longo prazo e alta eficácia.
Além dele, a rede municipal disponibiliza preservativos e o DIU, assegurando que a escolha do método seja acompanhada de educação em saúde e respeito à autonomia da paciente.
Fotos: Prefeitura Municipal e Pará de Minas e Ilustrativa reprodução fezailc (pixabay.com)