A venda de ovos de galinha aumenta significativamente na Quaresma, com a tradição católica de abstinência de carne vermelha, sobretudo nas sextas-feiras. Nesse período, os fiéis buscam muito outras fontes de proteína.
E com o crescimento da demanda, combinado às vezes com a redução na produção dos ovos nesta época, os preços aumentam. Quem confirma o cenário é a empresária Geovana Duarte Cabral, proprietária da empresa Ovos Capiau, e da G Matias Distribuição.
Segundo ela, é comum durante a Quaresma o pente de ovos apresentar grande variação de preços, podendo registrar aumento de até 40%. Com essa escalada e o desafio da queda de produção, as empresas precisam se preparar bem para o período, a fim de garantir o volume e a qualidade da produção.
Sobre a preferência dos paraminenses em relação ao consumo de ovos, a empresária explicou que os caipiras são os mais procurados, sobretudo os de duas gemas. Ela explicou também a diferença entre o ovo caipira e o ovo de granja:
Seja caipira ou de granja, Geovana destaca a importância de se garantir a qualidade do alimento. Por isso ela acompanha todo o processo, desde o galinheiro até a distribuição, garantindo o controle de qualidade, classificação por tamanho e peso, e rotulação adequada com data de embalagem e validade para controle do consumidor.
E por falar em consumidor, Geovana conta que uma dúvida recorrente dos clientes é sobre a melhor forma de se acondicionar os ovos em casa. Eles devem ficar dentro da geladeira, mas não na porta.
Vale lembrar que o consumo de ovos tem crescido nos últimos anos, e não é só durante a Quaresma. Por muitos anos, o produto foi considerado o vilão do colesterol, mas agora virou "superalimento" e queridinho do mundo fitness.
A reviravolta nutricional se deu após os ovos serem percebidos como um alimento funcional, versátil e de alto valor biológico.
E pra fechar a reportagem, um assunto que deixa muita gente curiosa – Por que as galinhas diminuem a produção de ovos durante a Quaresma?
Segundo especialistas, isso acontece por fatores fisiológicos e naturais relacionados à proximidade da mudança de estação, nada tendo a ver com um “recesso religioso”.
É que no outono, que vai chegar exatamente daqui a um mês, os dias ficam mais curtos, oferecendo menos luz solar, e isso afeta diretamente o ciclo hormonal de postura. As galinhas precisam de 14 a 16 horas de luz diária para uma produção constante.
Além disso, o período coincide com a troca de penas para elas se prepararem para o frio e esse processo biológico consome muita energia, fazendo com que a ave pause a postura para priorizar a renovação da plumagem.
Para manter a produção, avicultores costumam adotar iluminação artificial, garantindo o tempo de luz necessário mesmo nos dias curtos.
Fotos: Lucas Barcelos/Rádio Santa Cruz FM e Ilustrativa Renatok (pixabay.com)