O golpe do falso advogado continua circulando e fazendo novas vítimas, além de se modernizar. Se antes os criminosos se limitavam a criar perfis falsos utilizando fotos de advogados para enganar clientes, agora eles têm recorrido a ferramentas cada vez mais sofisticadas para tornar a fraude mais convincente.
O objetivo permanece o mesmo: convencer a vítima de que ela tem valores a receber em um processo judicial e induzi-la a realizar pagamentos sob o falso argumento de liberar esse dinheiro.
Tradicionalmente, os golpistas acessavam informações públicas dos processos, criavam contas falsas em aplicativos de mensagens e encaminhavam documentos reais às vítimas, dando aparência de legitimidade à fraude.
Agora, com o avanço da tecnologia, os criminosos passaram a utilizar recursos mais elaborados, aumentando as chances de convencer clientes desavisados.
O alerta vem da advogada Cleide Aparecida das Graças Santos, ao lembrar que o avanço das ferramentas digitais também está sendo aproveitado pelos criminosos, tornando o golpe ainda mais sofisticado e difícil de ser identificado.
Outra estratégia que vem chamando a atenção é o uso das audiências virtuais para dar ainda mais credibilidade ao golpe. Segundo a advogada, os criminosos passaram a aproveitar informações relacionadas às audiências on-line para abordar clientes em momentos de maior expectativa pelo andamento do processo, aumentando a sensação de urgência e facilitando a aplicação da fraude.
E a orientação continua sendo a mesma: nenhum advogado solicita depósitos para que um cliente receba valores conquistados em uma ação judicial. Cleide reforça a importância de confirmar qualquer informação diretamente com o advogado responsável pelo processo.
A principal recomendação é nunca realizar pagamentos solicitados por números desconhecidos. Em caso de dúvida, o cliente deve procurar diretamente o escritório ou entrar em contato utilizando os canais já conhecidos.
Também é importante lembrar que juízes, promotores, desembargadores e servidores da Justiça não solicitam depósitos para liberar valores de processos. A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar prejuízos, que, na maioria das vezes, são de difícil recuperação.
Meta é condenada após manter perfis falsos ativos
O tema ganhou ainda mais repercussão após uma decisão da Justiça de Uberlândia, que condenou a Meta, responsável pelo WhatsApp, por não remover perfis falsos que utilizavam a identidade de dois advogados para aplicar o golpe.
A empresa foi obrigada a excluir definitivamente as contas fraudulentas e indenizar cada um dos profissionais em R$ 4 mil por danos morais. Para a Justiça, embora a plataforma não tenha criado os perfis, falhou ao mantê-los ativos mesmo após receber diversas denúncias. A sentença não cabe mais recurso.
Fotos: Ronni Anderson/Rádio Santa Cruz FM e Ilustrastiva reprodução Pexels por Pixabay