A nova pesquisa realizada pelo Dieese, entidade especializada em levantar as demandas dos trabalhadores, reforçou a grande defasagem do salário mínimo no Brasil. Os números escancaram os desafios das massas.
A conta que antes era impressão virou oficial, confirmando que metade do salário vai para a comida e o restante para as despesas prioritárias, sendo que nem sempre a conta fecha.
Pelo índice oficial, a cesta básica subiu quase 9% nos últimos meses, mas fora deles o salto é maior. Na mesma pesquisa aparece o levantamento de que para sustentar com dignidade uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário seria de R$8.110,92. Esse valor é cinco vezes mais que o piso vigente, de R$1.621,00.
Com tanta defasagem fica fácil compreender os desafios de sobrevivência da grande maioria das famílias. Poucas estão conseguindo manter as contas em dia e a cada início de mês a história se repete, com a avaliação de quais as despesas serão pagas.
Trabalhadores como Raísa Dias e Letícia Campos mostram como o real ficou desvalorizado:
O tempo de trabalho traduz melhor esse peso. Tomando por base a jornada e o salário mínimo, são necessárias 105 horas e 51 minutos por mês dedicadas apenas a pagar a cesta básica. E só depois aparecem o aluguel, transporte, energia, internet (que deixou de ser luxo), remédio e outras despesas indispensáveis. A frustração do trabalhador aumenta na certeza de que bem antes do reajuste do próximo salário mínimo, em 2027, o custo de vida ainda vai subir mais.