O Pix mudou a relação das crianças e adolescentes com o dinheiro. A mesada que costumava chegar em notas dobradas, muitas vezes guardadas dentro de um envelope ou mesmo no tradicional cofrinho, agora aparece por meio digital.
A mudança pode parecer apenas tecnológica, mas representa uma transformação na maneira como as novas gerações aprendem a se relacionar com o dinheiro.
Se antes o contato acontecia com as cédulas e moedas, agora as primeiras experiências financeiras estão ficando no ambiente digital, onde o saldo é apenas um número na tela e o pagamento acontece com poucos toques no celular.
Nesse contexto, ensinar conceitos como planejamento, orçamento e consumo consciente tornou-se desafio ainda maior para famílias e escolas.
Em um país onde crianças recebem mesada por Pix, fazem compras com cartões digitais e acompanham influenciadores financeiros nas redes sociais, compreender o valor do dinheiro passou a exigir mais do que ensinar operações matemáticas.
Para se ter ideia da velocidade dessas mudanças, uma pesquisa realizada pela Serasa mostra que 73% das crianças tiveram acesso ao primeiro contato com a mesada digital antes de completar 14 anos. Já outro levantamento, aponta que 47% dos pais recorrem ao Pix para transferir dinheiro aos filhos e 11% ao cartão.
E os adolescentes se mostram sintonizados com os novos tempos, inclusive demonstrando segurança e conhecimento. Vitória Carvalho e Maria Clara Duarte são exemplos da nova realidade:
E o debate ganhou força agora, uma vez que o Senado Federal aprovou o projeto de lei que inclui a educação financeira entre os temas nos ensinos fundamental e médio.
A proposta determina que o assunto seja desenvolvido de forma integrada às disciplinas existentes, como matemática, história e geografia, permitindo que cada escola adapte o conteúdo à sua realidade.
A rapidez das novas transações financeiras reduziu a percepção em relação ao esforço necessário para conquistar aquele dinheiro, por isso se tornou ainda mais importante ensinar a reflexão das escolhas, prioridades e consequências.
Fotos: Ronni Anderson/Rádio Santa Cruz FM e Ilustrativa reprodução IA Gemini Google (2026)