A decisão do Grupo Casas Bahia, em entrar com um pedido de recuperação judicial na Vara de Falências do Foro Central de São Paulo, não afetou a rotina das lojas. Elas continuam funcionando normalmente, sem qualquer prejuízo para os clientes.
O Jornal da Manhã buscou informações na filial de Pará de Minas, instalada na Praça Padre José Pereira Coelho, na região central, recebendo informação de que o funcionamento continua normal.
O JM chegou a pedir uma entrevista, mas a gerência informou que foi orientada a não se manifestar sobre o caso, que está sendo discutido na diretoria do grupo.
O pedido de recuperação judicial foi sustentado pela necessidade de reorganização das finanças. O grupo está renegociando R$17,3 bilhões em dívidas.
Segundo a empresa, a medida se tornou necessária diante da piora de sua situação financeira, em meio ao cenário de juros elevados no país, que encareceu o crédito e aumentou os custos, e ao consumo mais fraco, que reduziu a capacidade de gerar caixa.
Essa não foi a primeira tentativa do grupo de reestruturar as finanças e preservar suas operações. Os primeiros sinais da crise surgiram em 2022, quando a empresa começou a registrar sucessivos prejuízos trimestrais, em um cenário que se agravou nos últimos anos.
Naquela época, a empresa já havia começado a fechar lojas com desempenho abaixo do esperado e enfrentava vendas pressionadas por uma economia ainda enfraquecida pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
Em 2023, o grupo anunciou seu Plano de Transformação, baseado na meta de aumentar a rentabilidade e alcançar um crescimento mais sustentável. Com previsão de crescimento.
Ocorre que no primeiro semestre deste ano a situação da empresa voltou a piorar, em meio a uma nova pressão sobre o caixa. E apesar dela ter reduzido a dívida líquida, não foi possível reorganizar as obrigações financeiras.
A direção também tentou levantar recursos no Brasil e no exterior para reforçar o caixa, mas parte das negociações não avançou. E agora, além do pedido de recuperação judicial, a empresa informou que fechou mais de 200 lojas em uma nova etapa do plano de transformação.
Não há perspectiva do encerramento de mais lojas, por agora, o que significa que a filial de Pará de Minas tem assegurado o seu funcionamento.
Foto: Lucas Barcelos/Rádio Santa Cruz FM