A Petrobras anunciou uma mudança no preço da gasolina, mas voltou atrás horas depois. O reajuste de R$ 0,19 por litro, que faria o combustível vendido às distribuidoras passar de R$ 3,05 para R$ 3,24, foi cancelado após a estatal revisar a interpretação de um decreto publicado pelo governo federal.
A confusão ocorreu após o fim da medida provisória que garantia uma subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina. Para continuar amortecendo os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, o governo adotou outro mecanismo: a desoneração do PIS/Cofins, que representa uma redução de R$ 0,63 por litro nos tributos. A mudança na forma de compensação, porém, gerou interpretações diferentes dentro da Petrobras.
Mas na madrugada de ontem, a estatal corrigiu a informação, garantindo que o preço da gasolina para as distribuidoras permanece em R$ 3,05 por litro. Na prática, o efeito líquido da nova medida é uma redução de R$ 0,19 por litro, considerando os tributos, enquanto a Petrobras fica com uma margem que poderá ser utilizada para absorver eventuais aumentos futuros do petróleo.
Para quem trabalha diretamente com a venda do combustível, ainda não há clareza sobre qualquer alteração nos valores cobrados nos postos. Alessandro Melgaço, proprietário de um posto de combustíveis na avenida Presidente Vargas, comentou que, neste momento, os estabelecimentos ainda aguardam uma definição.
Está prevista para hoje uma reunião entre representantes da Petrobras e do governo federal, quando a medida será discutida.
O cenário também envolve o diesel, que segue como um dos pontos mais delicados da política anunciada pelo governo. Diferentemente da gasolina, o combustível foi incluído em uma nova subvenção de R$ 1 por litro. Esse benefício se soma temporariamente ao de R$ 1,12 por litro, já em vigor, totalizando R$ 2,12 durante o período de sobreposição das medidas.
A pressão sobre o diesel é maior porque o Brasil ainda depende das importações para atender parte do consumo nacional. Cerca de 30% do diesel utilizado no país vem do exterior, deixamdo o preço mais exposto às oscilações internacionais. E o petróleo segue acima dos US$ 100 por barril, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
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