O setor têxtil de Pará de Minas continua lutando para se recuperar, mas o cenário é desafiador. Das cinco fábricas que já movimentaram a produção e o mercado de trabalho do município, apenas duas seguem em funcionamento: a Santanense e a DTX.
E mesmo com a manutenção das fábricas, o parque fabril enfrenta uma dificuldade que pode parecer contraditória diante do histórico de fechamento de empresas: faltam trabalhadores para ocupar as vagas disponíveis.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Pará de Minas, Neuler Ribeiro, confirmou que a escassez de mão de obra permanece, mesmo com a oferta de benefícios, como prêmios por produção e assiduidade.
Do outro lado da equação estão os empresários, que também enfrentam dificuldades para manter as atividades. Custos, mudanças no mercado e a necessidade de encontrar alternativas para garantir a continuidade das fábricas colocam pressão sobre um setor que já encolheu significativamente no município.
Segundo Neuler, a situação exige atenção justamente porque a manutenção das empresas depende de um equilíbrio entre as condições oferecidas aos trabalhadores e a capacidade dos empresários de sustentar os negócios diante das dificuldades.
E enquanto Pará de Minas tenta preservar as fábricas que ainda estão em funcionamento, o setor têxtil brasileiro enfrenta uma pressão maior com o avanço dos produtos importados.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que a produção na indústria têxtil caiu 3,9% entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, as importações de vestuário cresceram 50,3% entre janeiro e agosto deste ano. O movimento preocupa representantes da cadeia do algodão e da indústria têxtil, que avaliam que a entrada de produtos estrangeiros com tributação reduzida pode aumentar a pressão sobre a produção nacional.
É nesse contexto que aparece a chamada “MP das blusinhas”, a Medida Provisória 1.357/2026. Representantes do setor afirmam que a mudança pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e, consequentemente, afetar a demanda pela indústria nacional.
Fotos: Ronni Anderson/Rádio Santa Cruz FM e Ilustrativa reprodução Mploscar por Pixabay