O mercado financeiro tem reagido positivamente ao resultado do primeiro turno das eleições no Brasil. A movimentação está sendo percebida em diferentes indicadores: a Bolsa registrou máxima histórica, o dólar recuou 4,32% e os juros futuros passaram por uma redução nas expectativas.
Segundo especialistas, a reação está ligada principalmente à forma como o setor passou a enxergar o cenário econômico a partir das urnas. E a explicação é fácil de ser entendida, porque embora o mercado não vote em candidato, ele precifica expectativas a partir das perspectivas para o ambiente fiscal, os juros e a condução da economia.
O Jornal da Manhã conversou sobre o assunto com o economista paraminense Afrânio Viana e, de fato, ele confirmou que a sinalização de possível mudança na política econômica pode gerar movimentos positivos nos ativos.
Mas Afrânio também alertou que a reação não deve ser confundida com uma avaliação sobre a polarização política que marcou o primeiro turno. Enquanto o debate entre grupos políticos tende a ser mais intenso entre os eleitores, a lógica do mercado é diferente, com observação de qual cenário pode representar melhores condições para a economia.
E uma eventual redução dos juros não ficaria restrita aos investidores. O impacto pode chegar ao consumidor, às empresas e a quem depende de crédito para realizar projetos ou investimentos. Juros menores significam, em tese, custo menor para financiamento das atividades e maior espaço para movimentação da economia.
Ainda segundo Afrânio, o papel do Estado nesse processo também passa por criar condições para que a atividade econômica avance. O poder público deve atuar como facilitador, estimulando a produtividade e, ao mesmo tempo, organizando as políticas sociais de maneira estruturada e equilibrada.
Em Pará de Minas, muitas pessoas e empresas precisam recorrer ao crédito, ainda enfrentando custos elevados, e uma eventual melhora nas condições financeiras poderia favorecer investimentos, geração de empregos e novas oportunidades profissionais.
Os possíveis efeitos também podem aparecer no comércio e na própria capacidade do poder público de realizar investimentos.
Com uma economia mais aquecida, a expectativa é de maior circulação de recursos e novas possibilidades de crescimento local. Mas, segundo Afrânio, isso dependerá das estratégias adotadas pelo próximo governo e da condução da política econômica nos próximos anos.
Fotos: Ronni Anderson/Rádio Santa Cruz FM