O consumidor brasileiro voltou a sentir o peso do preço da carne no prato principal. A proteína animal registrou nova alta no varejo neste período de entressafra pecuária.
Ela foi impulsionada pela combinação de dois fatores determinantes: a retração na oferta de animais prontos para o abate no mercado interno e a forte demanda por exportações, liderada pelo mercado chinês.
Isso acontece porque na entressafra, que se estende pelos meses mais secos do ano, a baixa disponibilidade de pastagens reduz o ritmo de ganho de peso do gado no campo.
Sem volume suficiente de bois gordos, os frigoríficos encontram mais dificuldade para compor as escalas diárias de produção, o que eleva a cotação da arroba no campo e provoca o repasse dos custos da cadeia produtiva até os açougues e supermercados.
José Maurício, gerente de compras da Plena Alimentos em Pará de Minas, confirma o cenário, destacando também o forte aquecimento no comércio internacional.
Ainda segundo ele, a situação reflete no atual ciclo agropecuário, quando pequenos produtores, que não conseguiram comprar bezerros, precisam segurar o rebanho no confinamento a espera de melhores preços.
E a tendência de preços elevados deve continuar até a recomposição dos pastos, durante o período chuvoso, garantindo a entrada de um volume maior de animais prontos para o mercado.
Até que o mercado encontre novamente este equilíbrio, a orientação para o consumidor é buscar cortes alternativos, com outras fontes de proteína como a carne suína e frango.