Com o fim da escala 6x1 e a adoção da jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso, as empresas de Pará de Minas também já começaram a avaliar as necessidades de adequação de suas operações.
A nova escala pode tornar as vagas mais atrativas para os trabalhadores, mas vai exigir reorganização e mais atenção aos custos e à estrutura de funcionamento. Empresas que trabalham com diferentes turnos estudam como distribuir as equipes sem comprometer o atendimento, a produtividade e o cumprimento dos prazos.
Por isso, antes de definir mudanças, muitas aguardam maior clareza sobre as regras e os impactos que poderão atingir cada atividade.
No setor frigorífico, por exemplo, a falta de mão de obra é um grande desafio, segundo avaliou Jéssica Ferreira, da área de Recursos Humanos do Frigorífico Matoso. Ela explicou que o mercado de trabalho está instável e a dificuldade no preenchimento das vagas interfere na organização das atividades.
Na avaliação dela, a mudança na jornada pode representar uma oportunidade para atrair novos trabalhadores.
Na Siderúrgica Alterosa, o setor de Recursos Humanos também avalia os efeitos das novas normas. Mateus Ramos explicou que a empresa está realizando estudos para entender como as mudanças poderão ser aplicadas na realidade industrial. O desafio, segundo ele, é encontrar um formato que permita conciliar a adaptação dos funcionários com o desempenho da operação.
Um dos pontos avaliados é a quantidade de profissionais necessária para manter a produção. Dependendo dos estudos, a adequação poderá exigir a contratação de novos funcionários ou uma reestruturação das equipes e dos turnos.
A expectativa de ganhos de produtividade é outro aspecto considerado pela indústria. Com equipes dimensionadas de acordo com a demanda e uma organização eficiente dos horários, as empresas buscam preservar o ritmo de produção e, ao mesmo tempo, atender às novas condições de trabalho.
A mudança começa em 15 de dezembro, com a redução gradual da carga horária semanal de 44 para 40 horas, ao longo de 14 meses, sem redução salarial. Após os primeiros 60 dias, a jornada deverá diminuir duas horas por semana, chegando a 42 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho.
Ao fim da transição, o limite será de oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois dias de descanso. As horas que ultrapassarem os limites estabelecidos deverão ser remuneradas como extras.
Fotos: Ronni Anderson e Eduardo Franco/Rádio Santa Cruz FM