O percentual de brasileiros que se consideram felizes caiu de 89,5%, em fevereiro, para 61,1%, em setembro. A redução de 28% acende um alerta sobre a percepção de bem-estar no país. Os dados são da nova edição de O Mapa da Felicidade Real no Brasil, que ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões.
A pesquisa não investigou os motivos que levaram a essa mudança. Ainda assim, o resultado aparece em um cenário de preocupações que atravessam a vida de muitos brasileiros: instabilidade financeira, endividamento, desemprego, conflitos políticos e problemas de saúde mental.
Quando as preocupações se acumulam, o organismo pode permanecer em estado constante de alerta. A dificuldade de lidar com tantas incertezas, a sobrecarga emocional e a falta de tempo para cuidar de si podem comprometer a sensação de bem-estar.
Nos consultórios de psicologia, questões financeiras e preocupações com o futuro também aparecem entre os assuntos que afligem os pacientes.
A psicóloga Ana Gabriela chama a atenção para o impacto desse cenário na saúde emocional. De acordo com ela, o período eleitoral, marcado pela polarização e a preocupação com as apostas on-line podem agravar dificuldades financeiras e emocionais.
Outro dado da pesquisa ajuda a entender o desafio de encontrar satisfação na rotina. Em fevereiro, 51% dos entrevistados disseram já ter sentido tristeza ou infelicidade ao consumir conteúdos nas redes sociais. Em setembro, o índice subiu para 66,1%.
Embora o levantamento não estabeleça uma relação de causa e efeito entre o uso dessas plataformas e a queda da felicidade, os números mostram que a experiência digital também merece atenção.
O excesso de estímulos das telas também pode dificultar a atenção ao presente. Entre notificações, vídeos e publicações, momentos simples acabam perdendo espaço, e a impressão de que é preciso estar sempre feliz, produtivo ou conquistando alguma coisa pode se transformar em mais uma fonte de cobrança.
Ana Gabriela destaca que interromper o hábito de se comparar com outras pessoas é um passo importante para recuperar a percepção das coisas boas que fazem parte da própria vida.
Encontrar felicidade, porém, não exige esperar que todos os problemas sejam resolvidos. Reunir a família, dar risada de uma situação inesperada, conversar com alguém querido ou reconhecer uma conquista, mesmo pequena, são maneiras de valorizar o presente.
A ideia é deixar de condicionar a alegria a uma data especial, a uma meta alcançada ou a um momento em que tudo esteja exatamente como planejado. Isso significa entender que a felicidade pode estar no caminho, e não apenas no resultado.
Fotos: Ronni Anderson/Rádio Santa Cruz FM e Reprodução gerada por IA