O Brasil assistiu ontem a um fato inédito na história da redemocratização política. Pela primeira vez, um presidente da república venceu o pleito de virada, depois de perder o primeiro turno. Antes, somente 30 governadores tinham alcançado isso.
Lula ultrapassou a marca de 64 milhões de votos, resultado que representa um crescimento de quase 11 milhões de votos a mais que os úmeros do primeiro turno.
Em destaque para a virada está o desempenho em Minas Gerais. O estado, considerado pêndulo, deu mais uma vitória para Lula e inverteu o resultado positivo de Flávio no primeiro turno.
Em Minas, Lula marcou 50,39% (marcou 43,33% no primeiro turno) e Flávio 49,61% (marcou 48,24% no primeiro turno). No final da apuração, a vantagem do candidato reeleito no território mineiro foi de 100.248 votos sobre o adversário.
Outros estados também contribuíram para a reeleição do candidato, surpreendendo os institutos de pesquisa, principalmente a região Sudeste. Mas a eleição não foi marcada só pelos números.
Mas a polêmica agora gira em torno da decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, sobre o adiamento do horário de encerramento das eleições. O pedido de adiamento da votação por duas horas, foi feito pelas coligações dos dois candidatos, mas as reclamações se deram em virtude da demora pela decisão.
A campanha do candidato Lula alegou problemas enfrentados por alguns municípios referentes ao transporte público, enquanto a de Flávio pediu prorrogação de duas horas para municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, devido às fortes chuvas.
Ao final da apuração, Nunes Marques afirmou que o adiamento do horário não provocou efeito colateral no processo eleitoral:
Segundo o ministro, foi realizado um bloqueio para impedir o recebimento dos boletins de urna e restringir o acesso dos membros do tribunal a esses dados, o que provocou uma contenção extraordinária dos boletins. Ele classificou a situação como inusitada e afirmou que, graças aos esforços da equipe, foi possível contornar a dificuldade de última hora. Após as 19h, o processo transcorreu sem problemas técnicos.
O ministro confirmou que milhares de seções eleitorais já estavam encerradas e que o sistema impede a reabertura. Segundo ele, todas as providências necessárias foram tomadas e não houve nenhuma alteração decorrente da decisão judicial.
Fotos: Arquivo Jornalismo/Rádio Santa Cruz FM e Reprodução TSE