R$21,9 milhões. Esse é o valor movimentado por uma quadrilha que agia nas regiões Metropolitana e Central de Minas Gerais, através da fraude de cartões de crédito antes mesmo de eles chegarem aos clientes.
O escândalo estourou há poucas horas, com o sucesso de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais.
Entre os envolvidos estava um funcionário de uma agência bancária de Pará de Minas e vários entregadores. Quatorze estelionatários suspeitos de integrar a quadrilha são alvo da operação.
Policiais civis e militares cumpriram 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo e a varredura foi realizada simultaneamente nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Passos, Divinópolis, Pará de Minas e Sete Lagoas. Mas as investigações também apontam a ligação de, pelo menos, um grupo do estado do Rio de Janeiro.
A mobilização envolveu 90 policiais e 22 viaturas. Cerca de onze suspeitos foram presos ontem, mas os policiais também desmobilizaram três centrais de adulteração de cartões de crédito e apreenderam um veículo de luxo da marca Volvo.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$10 milhões da quadrilha, para assegurar a futura reparação dos prejuízos causados às vítimas.
Como o esquema funcionava
O promotor de Justiça responsável pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado, Giovani Avelar Vieira, informou que o esquema tinha como principal técnica a chamada “cesária”. Esse nome é dado no mundo do crime ao ato de retirar os chips legítimos de cartões de crédito e instalar chips adulterados.
Isso acontecia assim que os itens saíam para entrega, mas eram interceptados. Assim, com os cartões em mãos, os criminosos usavam os dados das vítimas para realizar transações fraudulentas, abrindo contas em nome delas e solicitando empréstimos.
Ainda segundo o promotor, os criminosos conseguiam parte dos dados, às vezes, por meio das próprias vítimas. É que ao receber os cartões inválidos, elas acionavam alguém para resolver o problema e aí forneciam informações acreditando se tratar realmente do banco.
Até agora, apenas um funcionário de banco foi identificado no esquema. Ele era responsável por facilitar as fraudes, fornecendo dados cadastrais dos clientes e retirando mecanismos de proteção das contas. As investigações também suspeitam que ele recebia as mensagens originais do banco, ao invés dos clientes.
O promotor Giovani Vieira também citou fortes indícios de lavagem de dinheiro para contas chamadas de “bolsões”, utilizadas por laranjas para receber e concentrar temporariamente os valores do crime e ocultar o caminho do dinheiro antes dele ser distribuído entre os integrantes do grupo.
Visivelmente satisfeito com o sucesso da operação, o promotor também fez questão de gravar uma mensagem para a sociedade, valorizando o trabalho das forças de segurança:
O esquema era tão forte que envolveu mais de 87 mil transações financeiras que, juntas, somaram os R$21,9 milhões. O Jornal da Manhã apurou, junto a fontes seguras, que o paraminense envolvido no esquema trabalha em um banco privado, localizado na região central de Pará de Minas.
Os suspeitos estão sendo investigados, até agora, pelos crimes de organização criminosa, estelionatos e furto mediante fraude, além da lavagem de dinheiro. As investigações prosseguem para a identificação completa da quadrilha e a recuperação dos ativos desviados, com a previsão de denúncia formal nos próximos dias.
Fotos: Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)