Um homem de 34 anos morreu depois de ser baleado por policiais militares durante uma operação realizada na manhã desta segunda-feira (7), no bairro Alto Alegre, em Itapecerica. A ação tinha como objetivo cumprir um mandado de busca e apreensão em uma residência.
A Polícia Militar afirma que Guilherme Pereira da Silva estava armado e apontou um revólver contra os policiais durante a abordagem. Segundo a corporação, os militares deram ordem para que ele largasse a arma, mas o homem teria mantido o revólver apontado para a equipe. Diante da ameaça, os policiais fizeram os disparos.
Guilherme foi atingido e socorrido pelos próprios militares. Ele foi levado para a Santa Casa de Itapecerica, mas não resistiu aos ferimentos e morreu depois de dar entrada na unidade. A PM informou que apreendeu no imóvel um revólver calibre 32 com a numeração raspada e cinco munições. Também foram encontradas uma pedra de crack e um cigarro de maconha.
A família, no entanto, contesta a versão apresentada pela Polícia Militar. Parentes que estavam na casa afirmam que Guilherme estava dormindo quando os policiais chegaram e que ele estava deitado no quarto, desarmado e sem reagir à abordagem. Segundo os familiares, os militares teriam perguntado sobre drogas e Guilherme teria permitido que fossem feitas buscas na residência.
A irmã dele, Luciana Aparecida Silva, contou que Guilherme havia tomado medicamentos na noite anterior e estaria sonolento quando os policiais chegaram. Os familiares também afirmam que ele foi atingido por pelo menos dois disparos, inclusive na região das costas. A família contesta ainda a apreensão da arma e das drogas.
Segundo os parentes, eles não viram Guilherme com um revólver e também não teriam presenciado o momento em que os policiais localizaram os materiais apresentados pela corporação. Depois dos disparos, houve tumulto nas proximidades da residência. De acordo com a PM, os policiais utilizaram instrumentos de menor potencial ofensivo, incluindo granadas de efeito moral, para dispersar as pessoas que estavam no local.
A perícia da Polícia Civil esteve na residência e realizou os levantamentos. A Polícia Militar também informou que instaurou um procedimento para apurar a atuação dos policiais envolvidos. Agora, a investigação deverá analisar as duas versões apresentadas, além dos vestígios encontrados no imóvel, dos exames periciais e dos depoimentos de policiais, familiares e testemunhas. Só a apuração poderá esclarecer o que aconteceu no momento em que Guilherme foi baleado.
Foto Ilustrativa: Arquivo Jornalismo/Rádio Santa Cruz FM