O empresariado de Pará de Minas começa a participar da mobilização nacional contrária à implantação da escala 5x2. O movimento está sendo liderado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e, aos poucos, ganha apoio nos municípios.
Empresários da cidade têm feito manifestações em suas redes sociais, sob o argumento de que a redução da jornada sem diminuição de salário elevará os custos trabalhistas e, por consequência, poderá gerar demissões.
Ao mostrar apoio à campanha da CACB, eles defendem que o Brasil não está preparado para uma mudança abrupta dessa magnitude e que o assunto exige amplo diálogo com o setor produtivo. Ainda segundo a entidade, as mudanças estruturais na jornada precisam garantir produtividade, competitividade e equilíbrio econômico, não apenas o tempo de descanso.
Entidades como a Fiemg e outras federações também reforçam a mobilização nacional. Até então, elas não acreditavam que a implantação da escala 5x2 poderia ser votada neste ano.
Mas o governo federal vem dando sinais muito claros de que, desta vez, o assunto não vai ficar para depois. Inclusive, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, está mantendo o tema em todas as suas entrevistas:
Ao defender a redução da jornada, Boulos cita exemplos de empresas que já adotaram esse sistema e estão obtendo aumento de receita e maior índice de satisfação dos funcionários.
O governo também busca exemplos lá fora, caso do Japão, onde a escala atual é de 4 dias trabalhados e 3 de folga. Esse sistema, segundo estudos, aumentou 40% na produtividade individual do trabalhador. Na Islândia, a jornada 4 por 3 contribuiu para o crescimento de 5% da economia nacional.
Mas o empresariado brasileiro contesta, afirmando que o país ainda não tem estrutura nem mentalidade para uma mudança tão brusca. A resistência é maior em varejos como o setor supermercadista e farmacêutico, que também mantém as portas abertas aos fins de semana.
O embate deve continuar e ficar ainda mais acirrado muito em breve, diante da perspectiva de votação do projeto de lei. Estamos em ano eleitoral, o que aumenta as expectativas de aprovação da matéria, uma vez que deputados e senadores não querem se desgastar com a opinião pública.
Fotos: Eduardo Franco/Rádio Santa Cruz FM e Reprodução camara.leg.br/deputados